maio 25, 2010

"Tête-à-tête: Simone de Beauvoir e Sartre"


Esse ano, descobri o livro da minha vida. Na verdade, comecei a ler, meio sem querer, por indicação da minha Tia Mari. Depois de eu ter lido a Biografa da Leila Diniz, ela disse, o próximo passo é ler sobre a Simone de Beauvoir. Então, me emprestou o Tête-à-Tête - Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.

O livro é uma biografia, mas focada no relacionamento aberto que os dois mantinham. E, é claro, acaba mostrando a trajetória dos dois, e como um influenciava o outro.

Esse foi um dos posts mais difícies de escrever, eu tentei, no mínimo, umas 5 vezes. Desisti. Comecei de novo. Escrevi outro. Parei. Comecei de novo. Tudo pq esse livro me encheu de insights, sentimentos, que qd escrevo, parece que não consigo falar de tudo. Para ter uma ideia, eu terminei de ler o livro em Março! Não tem como falar de tudo, por isso, decidi dividir com vcs, as passagens que mais me cativaram.

Então, o que me fez amar esse livro:

>> O dilema de manter um relacionamento aberto. Se isso ainda não é aceito hoje, imagina o que uma mulher na década de 40 não enfrentou. É muita coragem, mesmo.

"eu gostaria muito de ter o direito, eu também, de ser simples e muito fraca, de ser mulher"- Simone

>> A luta feminista de Simone. Obvio que eu já conhecia, mas eu não tinha entendimento dos seus conceitos. Eu achei esses dois particularmente perfeitos, e muito atuais:

"A mulher apaixonada tenta ver com os olhos dele;lê os livros que ele lê, dá preferência à música que ele prefere; só se interessa pelas paisagens que vê com ele, nas ideias que vêm dele, adota as amizades, as inimizades, as opiniões dele; quando se questiona, é a resposta dele que tenta ouvir (...). A suprema felicidade da mulher apaixonada é ser reconhecida pelo homem amado como parte dele; quando ela diz "nós", ela está associada e identificada com ele, compartilha do seu prestígio e reina com ele sobre o resto do mundo: nunca se cansa de repetir -até ao exagero - esse deleitável "nós"."

“A pessoa não nasce mulher, mas antes torna-se mulher". Simone não acreditava na "natureza humana". A feminilidade, para ela, era uma construção social. Sua tese central era que em todas as culturas, mesmo as ditas matriarcais, o homem era considerado O SUJEITO, e a mulher, o OUTRO. Em suas pesquisas, nas mais diversas ciências e abordagens (psicanálise, história, etc), nunca encontrou um motivo satisfatório para isso. Sua conclusão: nenhum grupo pode se estabelecer como PRIMEIRO, sem estabelecer o outro grupo como O OUTRO.


>> O conceito de Sartre, de que vc é o único responsável pelo andamento da sua vida. Tudo depende das tuas escolhas. Esse conceito tem tudo a ver com as minhas metas para 2010.

"Para mim, uma escolha nunca é final: está sempre sendo feita (...). O horror da escolha definitiva é que envolve não só o eu de hoje, mas também o de amanhã (...)" - Simone.

"Constitui má-fé olha para outro, seja humano ou deus, para ter uma noção de salvação. Como indivíduos somos livres e agimos de "má-fé" quando tentamos evitar nossa liberdade. Traz consigo a angustia da escolha. Vem com o fardo de responsabilidade."

" (...) sua doutrina afirmava que Deus não existe, o homem se cria. Nós nascemos covardes ou preguiçosos: escolhemos ser essas coisas. 'O homem é responsável pelo que é... somos sozinhos, sem desculpas. E é isso que quero dizer quando digo que o homem está condenado à liberade. Se muitos não gostavam dessa filosofia, prosseguia Sartre, era porque preferiam arranjar desculpas para si mesmos, dizer que as circustâncias estavam contra eles. "Não tive um grande amor, nem uma grande amizade, mas é porque eu não conheci o homem ou a mulher certo". "Se não escre livros muito bons, foi porque não tive tempo livre para isso". Essas pessoas estavam se enganando a respeitoa da sua liberdade. Isso era má-fé'".

"O existencialismo não se tratava de possibilidades ou intenções, mas de projetos concretos. Ninguém era um gênio a não ser que expressasse a genialidade em suas obras".

>> E a discussão sobre as relações. E de todos os tipos: homem-mulher, mulher-mulher, filhos-pais, irmãs-irmãos, etc.

"O amor entre 2 pessoas é necessariamente um conflito. Cada um quer que o outro o ame, mas não leva em conta o fato de que amar é querer ser amado e que assim, querendo que o outro o ame, a pessoa só quer que o outro queira ser amado por sua vez (...) daí a pérpetua insatisfação do amante". - Sartre

"No fundo, sabia que não era a ela que elas amavam. O que desejavam era o reflexo que viam nela do próprio futuro. Estavam apaixonadas por sua liberdade" - Simone sobre suas amantes

"Eu estava querendo iludir quando dizia que éramos uma pessoa só. Entre dois indivíduos, a harmonia nunca é um dado: precisa ser conquistado constantemente" - Simone.

Enfim, me identifiquei muito com esses pensamentos. Tem muito a ver com o que eu acredito.

E, como eu já tinho lido a biografia da Leila Diniz, é impossível não fazer uma comparação. E, eu acho, que a grande diferença é que para a Leila tudo era mais natural. Ela não fazia as coisas com o intuito de chocar (ou queimar sutiãs), mas sim pensando na vontade dela daquele momento. Tudo aquilo já fazia parte do seu DNA.

Já para Simone foi muito mais sofrido. Ela pensava, sofria demais. Ela sabia que tinha feito escolhas boas, mas o processo era dolorido. Ela tinha um tempo de adpatação. E nem tudo ela conseguia absorver e aceitar. Até porque algumas escolhas foram tomadas a partir da crença de Sartre, que fazia ela pensar muito, se questionar se estava certa em aderir ou não.

Ufa!

Enfim, só queria dividir um pouco, um pouco dos insights que esse livro trouxe para minha vida. E pensar que foi ele que me encontrou... loucura, não?

#ficaadica

5 comentários:

gisele.artes disse...

tá na fila pra ler!!!

Beto disse...

Olá, não nós conhecemos, descobri seu blog quando estava pesquisando sobre o livro da Simone e do Jean Paul, comecei a ler e estou gostando bastante. Não li o seu post para não estragar as surpresas que o livro me reserva. Quando terminar a leitura, volto aqui, leio seu post e comento.
Mas já posso adiantar que é bem bacana o seu blog.

Parabéns!

Roberto Geronimo - Beto disse...

Olá! Disse que voltaria, pois bem, aqui estou! Determinei o livro, na verdade devorei! Realmente muito bom!
O Castor e JPS realmente estavam a frente do seu tempo - acho que estão do nosso também. Gostei também do seu post!
Para saber minhas impressões sobre o livro, acesse: http://valvuladeinquietacoes.blogspot.com/2010/07/tete-tete-sartre-e-beauvoir.html

Filosofiainicial disse...

É um ótimo livro. Realmente muito bom. Leve e descontraído e mesmo assim marcante!

Carla Link Federizzi disse...

OI Beto! Desculpa, mas não tinha recebido o teu comment por email! Que bom que vc gostou. Sério, esse é o livro da minha vida :)
Obrigada por passar por aqui.

bjos