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maio 31, 2011

Curso - Escolhas: Um processo Contínuo


Já falei várias vezes como sou fã do Espaço Terapêutico Bororó25.
Infelizmente, agora que estou longe, não posso mais participar dos eventos. Por isso, fica a dica para quem mora em Porto Alegre.

Atualmente, estão promovendo esse curso sobre Escolhas (outro assunto que eu adoooro).
Então, corre lá para se inscrever, porque ele começa amanhã.
Depois me conta!




E oficialmente volto a ativar o blog! \0/


julho 20, 2010


"Você não sabe o que esperar de uma pessoa saudável, ele sempre faz algo diferente. Ela tem autonomia para fazer o que quiser."


do último FILOSOFANDO COM SANTO DE CASA, da Bororó25. Amei!

julho 04, 2010

CineBororó: Flor do Deserto

Soco no estômago.

Não há outra fase que consiga resumir -tão simples e claramente -o sentimento que se instalou no meu corpo depois de assistir o filme "Flor do Deserto". Esse foi o escolhido para a sessão do CineBororó de Julho (pra quem não se lembra, já falei de outros filmes e a dinâmica da discussão aqui).

O filme (baseado no livro de mesmo nome) conta a história real de Waris Dirie: uma menina da Somália, que foge da sua vida nômade no país africano, para se tornar uma famosa modelo em Londres, e mais tarde, embaixadora da ONU contra mutilação da genitária feminina.

Dá pra ver que o assunto não é leve. E não é nada leve mesmo. Imagina que mais de 6 mil mulheres (crianças na verdade) são mutiladas todos os dias, principalmente em países Africanos e Asiáticos. A mutilação é uma maneira de preservar a virgindade da mulher e deixar o "dote" mais caro. Pra entender o procedimento (que tem níveis mais brandos e outros mais severos): o clitóris é removido e os lábios superiores costurados. E essa mutilação acontece de forma muuuita caseira (até com espinhos) e com materiais não esterilizados. O que acarreta em muuuuitas mortes.

A história é forte, mas muito bem contada, mostrando os momentos decisivos da vida da Waris.
O filme trabalha com dois conceitos principais, na minha opinião: CORAGEM e REAÇÃO.

CORAGEM:
- de perceber que ter um casamento arranjado não era seu caminho;
- de atravessar um deserto sozinha, literalmente;
- de ir embora do conhecido, da Somália, para tentar algo completamente novo em Londres;
- de aprender inglês, ouvindo TV escondida na Embaixada da Somália em Londres;
- de perceber que era diferente das outras mulheres, e mudar.
REAÇÃO:
- de não parar no primeiro obstáculo;
- de continuar mudando, mudando e se adaptando;
- de realmente fazer a diferença, de perceber a força que sua voz tinha. Não se contentar apenas com a sua transformação.

A Waris tem uma força extraordinária dentro si.
E na discussão, depois do filme, abordamos alguns desses assuntos:

1. A força está dentro de cada um de nós. Sempre esteve. Sempre estará.
Tem uma cena, em que um homem tenta violentar a Waris quando adolescente, mas ela consegue fugir atacando o homem com uma pedra. Daí a Cris, da Bororó, falou uma frase que eu nunca mais vou esquecer: "Sempre tem uma pedra perto da gente". Sempre.

2. Corrente do Bem: sempre tem anjos / amigos / pessoas que fazem a diferença no seu caminho. E nesse caso, Waris teve sorte de ser ajudada por uma vendedora da TopShop (interpretada pela queridíssima Sally Hawkins de "Happy-go-Lucky") e depois pelo famoso fotógrafo Terry Donaldson. E para não deixar a impressão de que só atraímos gente do bem, a Waris deu muito azar ao ir no hospital, pq o médico pediu ajuda para um enfermeiro da Somália. E este tentou persuadir a Waris a manter viva a tradição do país (e sua mutilação).


3. Teve uma cena que me chamou muita atenção, quando a agente da modelo pergunta: como vc está bonita. Tem feito sexo ultimamente, hein? Esse é mais uma daquelas visões masculinas sobre as mulheres. É claro que sexo é importante, mas a felicididade de uma mulher não está ligada somente ao prazer sexual. Nem ao homem. Esse tipo de associação me deixa um pouco irritada.

4. A Waris não permetiu ser comercializada. Duas vezes: nem ao tentar ser "vendida" pelos pais, nem depois de famosa, quando a mídia queria explorar ao máximo sua situação de menina que saiu do deserto para as passarelas. Uma pobre e coitada, que teve a sorte de ser descoberta por um fotógrafo famoso. Essa não era a imagem da Waris. Essa não era a história da sua vida. E a partir daí, aprovetou sua exposição para tentar mudar a realidade. Foi o turning point da sua vida. Mais uma vez, ela usou a força que tinha dentro dela para mudar sua realidade.

5. E outro conceito trazido pela Bororó: a saúde contamina. Tendo mais pessoas saudáveis a nossa volta, conseguiremos manter nossa própria saúde.

Enfim, não tem como transmitir toda a energia do filme. E, sinceramente, eu sai do cinema completamente arrasada, com o estômago todo quebrado. Era sábado de manhã, e sabia que não podia passar o resto do dia ou do final de semana assim. Então, aproveitei que estava um lindo dia em Porto Alegre, pra refletir e digerir o filme na Redenção, tomando um sol. Foi muito bom. Depois do choque, percebi que o filme me deu uma injeção de força e coragem. E é isso que importa.
(As duas Waris: filme+verdadeira)
#Fica a dica

maio 09, 2010

CineBororó: Whatever Works

O CineBororó desse mês (pra quem não lembra, já falei dele aqui) foi com o novo filme do Woody Allen: "Whatever works".

O filme conta a história de Boris Yellnikoff, um ex-físico (ou como ele mesmo se descreve: um gênio), que é um velho ranzinza e cheio de neuroses, que se considera a única pessoa capaz de entender a insignificância da raça humana e do caos do universo. Até que ele conhece Melody, uma guria do interior do Mississipi, bem "burrinha", que fugiu da casa dos pais e não tem lugar pra ir. Os dois acabam vivendo juntos. Até que a mãe, e depois o pai, a encontram em NY.

Woody abusa de personagens caricaturados, mas retrata muitos pontos ligados aos tipos de relacionamentos que mantemos. Mais uma vez, Woody é genial.

Alguns comportamentos interessantes retratados:
- a maneira fechada de Bóris, que fala-fala-fala-fala sem parar (total woody style), sempre atacando e apontando os defeitos dos outros.
- como a Melody se apaixona por ele, e molda sua personalidade, seus gostos e jeitos para viver por isso;
- essa baixa auto estima de Melody, que acredita que estar casada com um "gênio", foi uma conquista que nunca imaginou que merecia ou seria possível;
- e ao mesmo tempo, o jeitinho dela, meio dissimulado, que consegue fazer as pessoas acatarem suas vontades;
- a escolha que a mãe de Melody faz, de reprimir um talento seu, e tentar diminuir essas frustrações na filha;
- o pai medroso, que só consegue ser totalmente sincero com um estranho;
- a descoberta da sua verdadeira sexualidade (e isso é bem comum aos filmes do Woody);
- e o momento em que as pessoas se dão conta que elas têm personalidade (um ser pensante) e que perderam o laço de comunicação com aqueles que antes eram "sua razão de existir".

Isso pra listar alguns dos temas do filme!
É muito bom fazer essas discussões, pq nem sempre identificamos todos os comportamentos de cara ou faz uma ligação com a nossa realidade. Pq às vezes, nem nos damos contas que passamos por aquilo. E durante a conversa, eu me identifiquei com muita coisa. Será que é por que eu tenho um irmão físico ranzinza? ;)


E, alguns dos tópicos que foram discutidos depois:
1. A Melody, que viveu em uma casa com dois pais reprimidos, que nunca expressaram sua personalidade de fato, faz esse mesmo jogo com o Bóris. Ela se molda pra ele, ela vive o jeito dele. Ela abandona a sua personalidade. Essa trama central do filme
(já que acontece em todos os outros personagens prinicpais) retrata algo que eu já discuti muito aqui no blog. Talvez ela precisava passar por isso, para atingir uma nova fase na sua vida. Ela precisava ser acolhida por alguém, antes de ser acolhida por ela mesmo. Mas é fundamental entender que você é uma pessoa sim, com desejos, vontades, crenças, talentos. E que sua opinião importa, independente da importância da outra pessoa.


2. É preciso tomar mto cuidado, com as pessoas que usam muito da ironia e sarcasmo (como o personagem principal) ao falar dos seus sentimentos. Esse é um recurso mto utilizado por aqueles que não conseguem se comunicar direito. É uma forma de mascarar os próprios medos, atacando os outros. E quem mais sofre, é quem convive com essas pessoas, que pode cair na armadilha de acreditar no que o outro diz.

3. Não podemos culpar os outros por nossa própria infelicidade. Existem pessoas que nos fazem aflorar sentimentos que não gostamos em nós mesmos. Mas a culpa não é deles. Nós que precisamos aprender a lidar com isso: nos conhecendo melhor, entendo porquê nos sentimos assim e acolhendo todos os nossos lados... precisamos ser uma pessoa integrada, em todas as nossas versões.

4. E por isso mesmo, a gente não precisa ser feliz o tempo todo, em todos os momentos. Isso é "puro delírio de grandeza"...

Na verdade, a essência do filme é mto boa: faça "whatever it works for you" para ser feliz... se aceite, se ame, se odeie, tenha coragem, mude. viva melhor. viva a felicidade possível...

whatever works

Ah, e agora todo primeiro sábado do mês tem CineBororó. Pra quem se interessar.

março 27, 2010

CineBororó - Um Segredo em Família

Algum tempo atrás, num sábado como esse, eu e o meu amigo Rafa Brandão fomos almoçar, e ele estava empolgadíssimo sobre a Bororó25. Pra quem não conhece, é um espaço terapêutico aqui em Porto Alegre , isto é, em bom português: um lugar que oferece tipos diferentes de terapia, mas mais do que isso, é um lugar de discussão para a busca da felicidade (possível). E, por essas coincidências da vida, a Lucia (minha chefa) também participa. E naquele sábado, o Rafa vinha de uma reunião do grupo, onde eles discutiram o filme "E se eu fosse vc" (onde eles analisaram o comportamento dos personagens, fazendo um paralelo com a realidade). Desde aquele dia, e com outras conversas com a Lucia, o Rafa e a Laura (que tb participa), virei super fã da Bororó.

Bom, por que essa história toda? Porque nesse sábado acabei indo no CineBororó - evento que é aberto a não participantes da Bororó - para assistir e discutir o filme frânces "Um Segredo em Família". E foi muito legal.Em primeiro lugar, o filme é maravilhoso. Ele é baseado em fatos reais, sobre a vida de um psicanalista infantil judeu, que vive uma infância conturbada pela estranha (e fria) relação que tem com seus pais. A história acontece no período da segunda guerra mundial, que determina o futuro de alguns dos personagens da trama. Ele passa a infância sem bem entender porquê existe essa tensão, apesar de sem querer, estar sempre muito perto da verdade. Até que uma amiga da família rompe o pacto de silêncio, e desvenda o segredo que todos vinham guardando.

Então, esse é o segundo ponto alto do filme: essa visão sobre as relações, as frustrações de cada um, as escolhas, as fugas, os desejos, o medo e, até mesmo, a coragem. E a trama do filme é superbem construída, fazendo um paralelo sobre a vida atual do Psicanalista e da sua infância.

Sob a visão de comportamento, existem muitas questões mal-resolvidas entre os personagens. E essas questões foram o alvo da discussão depois que o filme acabou: A idealização do irmão /filho perfeito. A frustração pela descoberta de uma suposta infidelidade. O desejo e da paixão. O medo. A escolha por fugir (atalhos da vida) e, de certa forma, até punir o marido. O peso das escolhas. A amiga, que tenta, não julgar as ações do marido e da mulher, porque: de que adianta se endignar? Que diferença isso vai fazer? A aceitação de suas raízes. A culpa. E, por último, a libertação do segredo.
Enfim, não tem como eu desdobrar mais o conteúdo, sem contar o filme. E, sinceramente, não quero fazer isso. Mas seguem algumas das discussões que a Bororó trouxe:

1) um segredo nunca fica restrito a pessoa que o guarda. Ele tem um peso tão grande, que transcede tudo, todas as relações. As pessoas a sua volta, podem até não entender exatemente o que se passa, mas vivem o fantasma desses segredos também.

2) não podemos nos culpar e reviver as decisões feitas no passado, que hoje julgamos erradas. Hoje somos pessoas completamente diferente daquela época. Uma pessoa que já viveu aquela situação, para pode-la jugá-la como boa ou ruim. De repente, aquilo foi o melhor que podia ser feito no momento. Se liberte do fantasma do passado, e tire o peso das costas, não fique se julgando. Se concentre no agora.

3) As escolhas são difícies. Mesmo que as julgamos, do lado de forma, como mais simples, como um atalho para não enfrentar um grande medo (por exemplo), não foram fáceis de serem tomadas.

4) E idealizar uma situação ou uma pessoa, não leva a lugar nenhum, só nos ferra (como bem disse a Laura)!

Enfim, não tem como colocar tudo (afinal, esse post já está gigante). Fica a dica do filme, da Bororó e desses eventos maravilhosos que promovem. E se alguém for assistir o filme, me convida para um café depois pra gente discutir mais!